<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30875629</id><updated>2012-01-30T01:07:48.513Z</updated><title type='text'>Os nossos homens</title><subtitle type='html'>Histórias sobre os homens da nossa vida</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nossoshomens.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30875629/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossoshomens.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>chumani</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-E0wo6QqfCJg/Tf_Rfm34N6I/AAAAAAAAEnw/k8FPUcOuCZ0/s220/marg_sat.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30875629.post-115661679544058783</id><published>2006-08-26T19:20:00.000+01:00</published><updated>2006-08-27T12:14:57.826+01:00</updated><title type='text'>o tempo de uma música</title><content type='html'>Fernando Pessoa escreveu através do seu heterónimo Alberto Caeiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo «é evidente», quero acaso dizer «só eu é que o vejo»?&lt;br /&gt;Quando digo «é verdade», quero acaso dizer «é minha opinião»?&lt;br /&gt;Quando digo «ali está», quero acaso dizer «não está ali»?&lt;br /&gt;E se isto é assim na vida, porque será diferente na filosofia?&lt;br /&gt;Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos,&lt;br /&gt;E o primeiro facto merece ao menos a precedência e o culto.&lt;br /&gt;Sim, antes de sermos interior somos exterior.&lt;br /&gt;Por isso somos exterior essencialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando te conheci desejei mostrar-me toda. Entregar-me nua de máscaras, despojada de maquilhagem social. Queria oferecer-me tal e qual sou.&lt;br /&gt;Desejei que soubesses do meu lado mais negro para só depois, caso não fugisses, pudesses conhecer a luz que também há em mim. Conheceres a minha interioridade era para mim uma urgência. Falei muito sobre onde estaria essa essência de mim. Sobre como se me reconhecerias sem um corpo.&lt;br /&gt;À medida que me dava a conhecer, interrogava-me sobre a essência; ontologicamente sou a essência, mas onde está esse algo que me define o ser? Perguntei-te sobre o -eu- se situar mais no corpo físico ou no interior. Interroguei-me sobre a comunicação por internet poder tornar-me mais eu, mais essência.&lt;br /&gt;No momento em que escrevo agora e quando respondo aos comentários, comunicando assim, até que ponto deixo de ser exterior e passo a ser mais -eu-?&lt;br /&gt;Através da net, torno-me mais essência? Torno-me uma pessoa melhor? Deixo de precisar de um corpo?&lt;br /&gt;Quando te conheci falei-te do facto de todos termos um corpo, mutilado ou não, deficiente ou perfeito, de todos os seres terem na sua exterioridade uma forma de expressar uma imagem interior e de captar e interpretar o mundo exterior.&lt;br /&gt;Disse-te que as interpretações sobre o corpo variam, os rituais do corpo mudam, e o corpo continua, imune às minhas concepções filosóficas...&lt;br /&gt;Perguntei-te se somos “exterior essencialmente” e desejei tornar-me-ei interior essencialmente.&lt;br /&gt;Falei-te destas minhas inquietações quando nos conhecemos.&lt;br /&gt;E esperei ansiosa pela tua resposta.&lt;br /&gt;Durante alguns minutos ficaste muito calado. Do meio do calor do silêncio, olhaste para mim directamente nos olhos como se me quisesses ler o interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, atiraste a cabeça para trás, riste-te com vontade e colocaste um CD a tocar.&lt;br /&gt;Colocaste um dedo nos lábios e pronunciaste de modo acentuadamente sibilante um encantador sssshhhhhhhhhh e sussurraste" repara na letra da canção"; era Mão Morta &lt;a href="http://www.mao-morta.org/index2.htm"&gt;Tu Disseste&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;E eu ouvi, já contigo a abraçar-me a cintura, puxando-me contra o teu corpo, de modo possante, sem lugar para hesitações ou interrogações; sem concepções filosóficas eu ouvi - «&lt;em&gt;procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"&lt;br /&gt;Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"&lt;br /&gt;Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar"&lt;br /&gt;Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"&lt;br /&gt;Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"&lt;br /&gt;Eu disse "o que é que isso interessa?"&lt;br /&gt;Tu disseste "...nada&lt;/em&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30875629-115661679544058783?l=nossoshomens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nossoshomens.blogspot.com/feeds/115661679544058783/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30875629&amp;postID=115661679544058783' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30875629/posts/default/115661679544058783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30875629/posts/default/115661679544058783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nossoshomens.blogspot.com/2006/08/o-tempo-de-uma-msica.html' title='o tempo de uma música'/><author><name>ISABEL Mar</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
